Os Cadernos Portugueses começam com um fascículo dedicado ao Alentejo. Cinco autores partem do mesmo território e constroem cinco trabalhos independentes. O resultado não pretende explicar o Alentejo nem fixar o território numa ideia única. Procura observar diferentes realidades e perceber o que está a acontecer num lugar onde muitas questões do país se tornam particularmente visíveis.
A relação com a terra, a propriedade e o trabalho rural acompanha a transformação da agricultura e da paisagem. A água alterou escalas, usos e expectativas. A baixa densidade e a distância continuam a marcar formas de viver e de partir. A fronteira é simultaneamente limite e passagem. A memória e a transmissão cultural convivem com mudanças profundas nas comunidades. E a própria paisagem surge cada vez mais como bem económico, disponível para compra, investimento e transformação.
CADERNOS PORTUGUESES
VOL. 1
ALENTEJO
AUTORES: Bárbara Monteiro, Guillermo Vidal, José Fernandes, Mário Cruz e Rui Costa.
Os livros reservados deverão ser levantados no dia da inauguração da exposição. Após essa data, a reserva deixa de estar garantida.
Os cinco projectos abordam estas questões por caminhos distintos. Um olha para quem ainda vive da terra. Outro regressa à promessa de Alqueva e ao território produzido pela água. Um terceiro escuta as mulheres do Cante e a conquista do espaço público. Outro pensa a distância, a fronteira e as formas de habitar o Baixo Alentejo. O último observa a presença recorrente da venda imobiliária e a transformação da paisagem em mercadoria. Juntos, os trabalhos formam um retrato plural de um território em mudança. Não são cinco respostas sobre o Alentejo. São cinco formas de procurar, aproximar, questionar e guardar o território em contexto.
O Alentejo é uma região onde a escala do território contrasta de forma muito evidente com a presença humana. Em 2023, registava 17,7 habitantes por quilómetro quadrado, a menor densidade populacional entre as regiões NUTS II de Portugal e Espanha. Esta condição ajuda a perceber a importância que a distância, o acesso, o envelhecimento, a mobilidade e a permanência assumem em muitas zonas da região.
Alqueva representa uma das transformações territoriais mais marcantes das últimas décadas. A albufeira ocupa cerca de 250 quilómetros quadrados e tem 83 quilómetros de extensão. Em 2025, os 25 perímetros de rega do sistema abrangiam cerca de 117 mil hectares de exploração efectiva. A água trouxe novas possibilidades produtivas, mas também novas escalas agrícolas, novas paisagens e novas perguntas sobre o futuro da região.
O Cante Alentejano integra, desde 2014, a Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. A própria UNESCO sublinha a ligação do Cante à identidade, à pertença, à transmissão entre gerações e às mudanças no contexto social e cultural.
O primeiro volume é desenvolvido num momento particular para a região. Évora será Capital Europeia da Cultura em 2027, num programa que se apresenta a partir do Alentejo e da ideia de Vagar. Os Cadernos Portugueses não nascem como ilustração desse acontecimento, mas o contexto reforça a oportunidade de produzir e fazer circular um arquivo contemporâneo sobre a região.
FICHA TÉCNICA LIVRO